Espaço Saúde

19/05/2012

Os perigos do diabetes

Os perigos do diabetes

Por: Dr. Vinícius R. Danielli

Especialista em Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM) Especialista em Medicina de Urgência pela SBCM Pós Graduado em Terapia Intensiva pela Fundação Unimed

 

O diabetes é uma doença conhecida pelo homem há muito tempo. Existem relatos dos sintomas da doença que datam de 1500 anos AC. O nome "diabetes" só surgiu no século II, nos estudos do grego Areteu da Capadócia, e significa "sifão", pois a água entrava e saía do indivíduo sem nenhuma retenção pelos rins, sintomas que hoje a medicina denomina polidipsia e poliúria (excesso de sede e aumento do volume urinário, respectivamente). Mas foi no século XVII que o médico inglês Thomas Willis adicionou o termo mellitus ("mel" em grego), devido ao gosto adocicado da urina dos portadores da doença.

Muito tempo se passou, muitas descobertas foram feitas, enfim, e a era da medicina baseada tem evidências chegou, trazendo um grande avanço no entendimento e tratamento do diabetes. Apesar de tudo isso, uma boa parte da população desconhece os sintomas e ainda acredita em mitos e lendas que envolvem esta doença. Mas, enfim, o diabetes é uma doença grave? Qual a expectativa de vida do diabético? E ainda, qual a qualidade de vida destes pacientes?

Para responder essas perguntas basta entrar em qualquer Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de adultos e verificar quantos pacientes ali são portadores da doença. É realmente assustador. O diabetes traz complicações a praticamente todos os órgãos do nosso corpo. Cite qualquer um, e nós podemos encontrar lesões diretas ou indiretas. Rins? Insuficiência renal. Olhos? Cegueira. Coração? Infarto agudo do miocárdio. A lista praticamente não tem fim.  

Mas afinal de contas, qual o tratamento desta moléstia? Será ele tão difícil ou tão caro que a maioria da nossa população não tenha acesso? Não. Ele se baseia em dois grandes pilares: mudança de hábitos de vida e uso de medicamentos. E é aqui que as dificuldades começam, pois a maioria das pessoas não cultiva hábitos saudáveis, como por exemplo fracionar suas refeições (o que significa comer menos, mais vezes ao dia), ou então praticar atividade física regularmente. Todos sabemos da importância destas rotinas, mas no evento do diabetes elas se tornam parte do tratamento, portanto,  essenciais para o controle da glicemia, que é a dosagem de glicose ("açúcar") na corrente sanguínea.

Quando falamos em tratamento medicamentoso, os mitos e lendas são incrivelmente resistentes ao tempo e a luz da ciência. Quantos de nós nunca ouviu que a insulina "vicia" ou faz mal ao coração? Parte da culpa disso é nossa, da classe médica, que devido a fatores diversos não despende o tempo necessário para orientar os nossos pacientes e desfazer esses mitos. Felizmente a oferta de medicações é ampla, e contempla todas as classes sociais. Associações não governamentais, como por exemplo a Associação de Diabéticos de Maringá (ADIM - adimaringa@ig.com.br) fornecem suporte gratuito aos portadores da doença.

Finalmente, é nosso dever informar a população em geral sobre os principais aspectos do diabetes, suas causas, sintomas, e principalmente que o tratamento bem feito evita as terríveis complicações, trazendo bem estar e qualidade de vida aos portadores desta antiga doença.

 

 

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