Espaço Saúde
19/05/2012
A febre dos suplementos
Que atire o primeiro pezinho de alface aquele que, diante da despensa vazia ou depois de um dia atribulado no trabalho, nunca se rendeu a uma lasanha congelada, do tipo que fica pronta em cinco minutos. Os pratos rápidos e industrializados são realmente uma opção tentadora para quem vive nas grandes metrópoles e está preso a um estilo de vida em que os intervalos para comer bem e praticar outros hábitos saudáveis vão ficando cada vez mais escassos. O problema é que, comendo a tal lasanha dia sim, outro também, terminamos o mês não apenas com alguns quilinhos extras, mas com um déficit importante de nutrientes, entre eles, vitaminas e minerais que são essenciais para o bom funcionamento do organismo.
Quando faltam vitaminas
"Em tese, é perfeitamente possível obter todos os nutrientes de que precisamos da alimentação, desde que sejamos disciplinados o suficiente para seguir uma dieta rigorosamente balanceada. Além disso, teremos que contar com a capacidade do corpo de absorver bem todos os nutrientes ingeridos, para zerar todas as nossas necessidades. Só que, na prática clínica, essa não é a realidade da maioria", atesta o médico ortomolecular e cardiologista Edmar Santos. "Para garantir uma boa ingestão de vitaminas e minerais, é fundamental consumir muitas frutas, folhas e legumes, além de carboidratos integrais. Porém, atualmente, o consumo desses alimentos vem caindo muito", complementa a nutricionista Ana Maria Martins, diretora da Nutricius Nutrição Esportiva e Qualidade de Vida (SP).
A consequência de tanta negligência não tarda a aparecer: um cansaço sem razão de ser, queda acentuada de cabelos, unhas fracas, entre tantos outros sinais da carência. "Os problemas que decorrem da falta de vitaminas e minerais podem provocar desde sintomas leves a comprometimentos mais graves. É comum aparecerem, por exemplo, complicações dermatológicas, neurológicas, problemas relacionados à imunidade, perdas ósseas importantes e anemias. Mas o quadro pode variar muito, dependendo do tipo de nutriente que está em baixa no organismo", explica o endocrinologista Alfredo Halpern, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
E é nesse momento que entram em cena os tão populares suplementos alimentares. "Eles estão muito bem indicados quando a alimentação do paciente não é capaz de suprir as necessidades individuais ou se a deficiência vitamínica já foi diagnosticada clínica ou laboratorialmente", garante a nutricionista Glauce Lamoglie de Carvalho, do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas de São Paulo. Em geral, crianças, gestantes, lactantes e idosos apresentam maior suscetibilidade a apresentar deficiências de vitaminas e minerais. "Há momentos em que a alimentação não é o bastante e, assim, o uso de suplementos é benéfico e recomendado pela American Dietetic Association (ADA), para que as necessidades nutricionais do indivíduo possam ser atendidas e para prevenir complicações secundárias", diz Glauce. Assim, é comum que os médicos receitem vitamina B12 para os vegetarianos, que não consomem qualquer produto de origem animal, polivitamínicos e poliminerais para pessoas que seguem um plano alimentar muito restrito e prolongado para a perda de peso ou que apresentam redução da absorção ou aumento da excreção de algum micronutriente, como nos casos daqueles que se submeteram à cirurgia bariátrica ou possuem Doença de Crohn. Além disso, o ácido fólico para gestantes, a vitamina D para os que não consomem leite e derivados e não se expõem ao sol e o cálcio para quem não tolera a lactose também são amplamente prescritos.
Fonte: Revista Viva Saúde http://www.vivasaude.uol.com.br